Bruno Lemes

Message18.01.2017

 

Em seu último seminário de 2016, a Academia Internacional para Lideranças (Internationale Akademie für Führungskräfte – IAF) da Fundação Friedrich Naumann ofereceu para mim e para representantes de outros vinte países a oportunidade de, ao longo de doze dias, aprender e praticar conceitos de branding e sua aplicação às nossas organizações – partidos políticos, ONGs, think tanks e outras – ou mesmo a indivíduos que as representem. Como outros colegas que me antecederam, tive a honra de representar a bandeira do Brasil e as bandeiras do NOVO.

A estrutura do seminário foi compreendida por: conteúdos conceituais, transmitidos principalmente como input para discussões, pelos facilitadores Wulf Pabst e Marike Groenewald, que conduziram com grande competência os trabalhos; grupos de trabalho – o cerne da metodologia dos seminários da IAF –, momentos em que subgrupos de três a sete pessoas, de combinações aleatórias, debatem e exercitam aqueles conceitos enquanto enriquecem a proposta, ao trocar experiências a partir das próprias realidades em seus países e instituições; visualização e apresentação, quando os resultados das discussões dos subgrupos são trocados entre todos; excursões, oportunidade de conhecer mais a Alemanha enquanto visitamos instituições públicas e privadas do país – para reuniões com autoridades e representantes – ou recebemos especialistas e profissionais de comunicação com experiência em estratégias de campanha; avaliação e conclusão, espaço para indicarmos os pontos altos do seminário e aquilo que pode ser aprimorado – e como –, em conversa aberta com a própria diretora da IAF, Bettina Solinger.

                                            

O conteúdo com que trabalhamos nessas duas semanas foi denso, enriquecedor e introduzido de modo que pudéssemos, facilmente, sempre ter em mente as organizações que ali representávamos – tanto na discussão que procedia a exposição quanto no momento do exercício em grupos de trabalho –, e pode ser resumido da seguinte forma:

  • Definições, origens e termos relativos ao branding;
  • A relação do branding com a estratégia, visão, proposta e valores de uma organização;
  • Os doze arquétipos e sua aplicação ao branding;
  • A estrutura(ção) de uma marca (brand), organizacional ou individual;
  • Identificar grupos de eleitores e stakeholders em geral, suas expectativas e anseios junto à organização, bem como o que lhes oferecer de concreto e como cumprir essas promessas;
  • A criação de uma marca liberal e vivê-la enquanto organização;
  • Desafios e tendências a que marcas liberais têm tido dificuldade em corresponder;
  • Estudo de caso na criação bem-sucedida de uma marca liberal: a Aliança Democrática (Democratic Alliance – DA), partido sul-africano;
  • O processo de renovação da marca do Partido Democrático Liberal (Freie Demokraten – FDP), bem como sua implementação e campanha bem-sucedida nas eleições locais de 2016;
  • Reconhecer e corresponder a humores (moods) e emoções do público;
  • Rebranding e gestão de uma marca em tempos de crise.

A instalação da IAF no alto da pequena Gummersbach foi pensada exatamente – e acertadamente, a meu ver – para a proposta de retiro, foco nas atividades e ausência de distrações inevitáveis das cidades de maior parte. Mas em poucos dias a noção de cidade “que não tem nada” dá lugar à agitada movimentação de Colônia, uma visita já clássica dentro da programação dos seminários, realizada em nosso retorno de outra importante cidade, Düsseldorf, capital do estado da Renânia do Norte-Vestfália, onde nos localizamos. Lá, reunimo-nos com a deputada Angela Freimuth, vice-líder do FDP na Assembleia Legislativa. A despeito da beleza e vibração de Colônia, o ponto alto – e grande novidade – foi a visita e estadia na capital alemã. Conhecer Berlim é uma valiosa experiência que a IAF proporcionou a nós participantes.

                                                                                                      

A vivência na Academia é, sem dúvida, muito especial. Particularmente, apreciei a proposta de retiro, de concentração – nem por isso nos faltou oportunidade de descontração, fosse no bar após o jantar, ou durante as pausas das atividades ao longo do dia. A socialização com os colegas é um ponto forte e laços de amizades sólidos são levados pelos participantes de todos os seminários. A alimentação é outro aspecto digno de nota no tratamento recebido na IAF – em variedade e qualidade, todos os dias, em todas as três refeições. Por fim, cabe salientar uma última percepção pessoal, a de que os seminários são estruturalmente aprimorados com base em avaliações de seminários prévios, em termos de organização de horários, distribuição de atividades e dinâmicas; uma responsividade elogiável.

Agradeço e parabenizo a Fundação Friedrich Naumann pela parceria e oportunidade, por meio de sua Academia Internacional para Lideranças, com a certeza de que esse trabalho tem contribuído para o desenvolvimento de práticas e estratégias bem-sucedidas de difusão das ideias liberais no mundo todo. Que a parceria promissora entre nossas organizações siga gerando bons frutos. Auf Wiedersehen!