Joanna Maldonado Renner, Diretora de Comunicação do IEE. Porto Alegre - RS

Message26.01.2017

No período entre 30 de outubro e 10 de novembro, participei do Seminário Political Avenues to Opening Markets and Promoting Entrepreneurship, na Theodor Heuss Academy em Gummersbach, representando o Instituto de Estudos Empresariais (IEE). Durante 12 dias debatemos com 26 participantes de 22 países como criar um ambiente amigável aos empreendedores, propício para a criação de novas empresas e favorável para a inovação.  

A mediação e as exposições foram feitas pelo Dr. Stefan Melnik e pelo Dr. Emmanuel Martin. Os dois professores foram exímios ao passar conteúdo liberal, retratando diferentes casos para que os participantes pudessem entender como se comportam os governos e os mercados. Os dois tiveram o auxílio de Jyoti Sachavirawong, que mediou pela primeira vez um seminário na IAF. A Jyoti demonstrou total domínio das ideias liberais e foi muito bem como mediadora.

De maneira geral, a condução do seminário ocorreu de forma que os temas eram apresentados pelos mediadores, e a seguir os participantes eram divididos em grupos, onde seguiam os debates. Ao final os grupos deveriam apresentar suas conclusões. Esse formato tornou possível que explorássemos diferentes aspectos sobre os temas, e trocássemos experiências com os demais participantes. Intercalado às discussões de grupos, eram feitas apresentações, ora pelos próprios mediadores, ora por alguns participantes.

Diversos temas foram abordados como: livres mercados e porque são melhores que as outras alternativas; existe necessidade de regulação (e em que áreas)?; incentivos e o papel do lucro; o empreendedorismo deve ser regulado (e em que áreas)?; o que é empreendedorismo e quais as qualidades necessárias para ser um bom empreendedor; o empreendedorismo tem uma função social?

Apesar de por vezes parecer repetitivo, voltando as discussões em grupos seguidamente, fez-se notar que o método leva os participantes a criarem suas respostas, debaterem diferentes perspectivas e chegarem a conclusões provenientes da interação dos participantes. A mediação foi fundamental nesse aspecto, sendo as apresentações dos grupos seguidas por debates onde os mediadores também apresentavam novos aspectos.

Para mim, o mais enriquecedor de todo o processo foram as trocas de informações e experiências com os demais participantes, com destaque para aqueles provenientes de países que passaram por governos autoritários ou ditaduras socialistas, como Myanmar, Ucrânia, Moldávia, Tunísia.

Além das atividades realizadas na academia, o grupo fez duas viagens. Uma, de um dia, para a cidade de Colônia, onde visitamos “Solution Space”, coworking que abriga algumas startups, e onde a fundadora e dois startupers puderam nos dar uma visão sobre o cenário empreendedor alemão.  Na segunda viagem fomos a Hamburgo. Em Hamburgo tivemos duas palestras, uma sobre empresas familiares e a outra sobre empreendedorismo na Alemanha. Em ambas as palestras foi possível identificar a aversão a mudança e ao risco, que nos deixa claro que não é a situação econômica do país que o torna um ambiente propício a inovação e ao surgimento de novas empresas.

Por coincidência, estávamos na academia quando foi dado o resultado da eleição norte-americana, cujo vencedor foi Donald Trump.

Com a notícia, que surpreendeu a maioria, os mediadores decidiram (assertivamente) tratar a respeito dos EUA, da veia nacionalista de Trump e sua vida como empreendedor e empresário, e das possíveis consequências da eleição do candidato republicano. Me pareceu uma excelente ideia que se tratasse desse assunto, uma vez que o nacionalismo tem emergido em diversas democracias, e que a história nos mostra que os resultados da exaltação de um país e do consequente fechamento (ou negação à globalização) traz resultados nefastos.

Fiquei extremamente feliz em ter sido parte deste seleto grupo de 26 pessoas, que debateu, compartilhou experiências, trabalhou em conjunto, e que, mais que tudo, se abriu para adquirir novos conhecimentos, rever ideias, construir uma história conjunta. Espero que todos nós saibamos aproveitar o conhecimento recebido e espalhar as ideias de liberdade pelos quatro cantos do mundo.